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O peso da mochila

A conta que quase todo peregrino experiente repete, o que costuma sobrar e por que o transporte de bagagem não é trapaça.

Para quem está montando a mochila e não sabe o que cortar. · 5 min de leitura

A referência que circula entre quem caminha muito é simples: a mochila não deveria passar de mais ou menos 10% do seu peso corporal. Alguém de 70 kg carrega perto de 7 kg, contando tudo — inclusive a água.

Não é uma lei da física, é uma regra prática, e ela existe porque cada quilo a mais aparece multiplicado: você não carrega o peso por um quilômetro, carrega por vinte, todo dia, subindo e descendo.

O que quase sempre sobra

  • Roupa demais. Três mudas bastam para qualquer número de dias: uma no corpo, uma limpa, uma lavando. Lavar à noite é parte da rotina.
  • Um segundo calçado pesado. Um chinelo leve para o fim do dia resolve.
  • Livro. O peso é constante e o tempo de ler é menor do que se imagina.
  • Kit de primeiros socorros grande demais. O essencial cabe numa bolsinha pequena; farmácia existe nas cidades do caminho.
  • Água demais. Encher demais 'por segurança' é peso morto quando há onde reabastecer a cada poucos quilômetros — e isso muda de trecho para trecho, então vale conferir o dia seguinte na véspera.

O teste que ninguém faz e devia

Arrume a mochila como se fosse partir amanhã, pese na balança de casa e caminhe uma tarde inteira com ela. O que incomodar em quinze quilômetros vai ser insuportável em duzentos. Tire, pese de novo, repita.

Sobre transportar a bagagem

Em várias rotas existem pessoas que levam sua mochila de uma cidade para a outra, e você caminha só com o que precisa no dia. Há quem considere que isso descaracteriza a peregrinação. Nós não concordamos: para muita gente é a diferença entre caminhar e não caminhar — por causa de uma lesão, da idade, de uma coluna que não permite carga.

O caminho é seu. Quem decide como fazê-lo é você, e ninguém precisa de autorização para caminhar do jeito que consegue.

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